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IX CONVENÇÃO DE CONTABILIDADE DO RIO GRANDE DO SUL
A
UNIVERSIDADE DO SÉCULO XXI RUMO AO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
AUTORIA:
Maria Elisabeth Pereira Kraemer
Contadora,
CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação
na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do
Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais
pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais
pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica
Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação
Científica Internacional Neopatrimonialista.
E-mail:
beth.kraemer@terra.com.br
TELEFONE/FAX: (0XX) 47-3446558
Para
baixar o artigo completo, com figuras e quadros, acesse: http://www.gestaoambiental.com.br/kraemer.php
Resumo
As atividades
humanas sobre o meio ambiente vêm se intensificando ao longo do tempo
e de forma mais acentuada a partir da Revolução Industrial, no
final do século XIX, resultando na miséria, na exclusão
social e econômica, no consumismo, no desperdício e na degradação
ambiental. A educação ambiental é o instrumento para a
implantação do desenvolvimento sustentável, que combina
crescimento econômico e tecnológico com a exploração
racional dos recursos naturais e com a sua conservação para gerações
presentes e futuras. Na visão da educação ambiental, tais
elementos estão inseridos na vida do indivíduo, que se torna um
pólo de interação do seu crescimento cognitivo, efetivo,
social e moral. A educação ambiental tem como objetivo o desenvolvimento
de hábitos e atitudes, e estes só se consolidam ao longo da formação
do indivíduo. A universidade é o lugar privilegiado para uma educação
dirigida às exigências de nossos tempos. Atribuí-se a ela
a responsabilidade de educar para o desenvolvimento sustentável, quer
diretamente os seus alunos, quer por influência junto de decisores e outros
agentes-chave implicados no processo. Para Kornhauser (2001), a educação
é o cimento da construção do desenvolvimento humano sustentável.
É preciso elaborar estratégias e programas de educação
relacionados com o ambiente, que abranjam tanto o ensino escolar como a educação
informal, que adotem a perspectiva da educação permanente a ser
desenvolvida pelos poderes públicos, o setor produtivo, o comércio
e as comunidades locais.
1
– Introdução
O rápido
crescimento demográfico, o esbanjamento dos recursos naturais e a degradação
do meio ambiente, a pobreza persistente de grande parte da humanidade, a opressão,
a injustiça e a violência de que padecem ainda milhões de
pessoas exigem ações corretivas de grande envergadura.
Segundo
Mayor (1998), a educação é a chave do desenvolvimento sustentável,
auto-suficiente – uma educação fornecida a todos os membros
da sociedade, segundo modalidades novas e com a ajuda de tecnologias novas,
de tal maneira que cada um se beneficie de chances reais de se instruir ao longo
da vida. Devemos estar preparados, em todos os países, para remodelar
o ensino, de forma a promover atitudes e comportamentos que sejam portadores
de uma cultura da sustentabilidade.
É
aí que entram em jogo as universidades, assim como todos os estabelecimentos
de ensino superior, que assumem uma responsabilidade essencial na preparação
das novas gerações para um futuro viável. Pela reflexão
e por seus trabalhos de pesquisa básica, esses estabelecimentos devem
não somente advertir, ou mesmo dar o alarme, mas também conceber
soluções racionais. Devem tomar a iniciativa e indicar possíveis
alternativas, elaborando esquemas coerentes para o futuro. Devem, enfim, fazer
com que se tome consciência maior dos problemas e das soluções
através de seus programas educativos e dar, eles mesmos, o exemplo.
Esta
tarefa se materializa na promoção de programas de ensino novos
e/ou reorientados, de acesso mais abrangente e contínuo, na criação
de painéis de peritos que aconselham os governos e fazem um acompanhamento
crítico da atuação destes e de outros agentes da sociedade.
Neste
sentido, os trabalhos desenvolvidos dentro das instituições de
ensino de nível superior têm um efeito multiplicador, pois cada
estudante, convencido das boas idéias da sustentabilidade, influencia
o conjunto, a sociedade, nas mais variadas áreas de atuação.
A
educação está sendo, nos dias de hoje, repensada como uma
preparação para a vida: trata-se de garantir a segurança
do emprego e a aptidão para o trabalho, de permitir a cada um satisfazer
às demandas de uma sociedade em rápida evolução,
assim como as mudanças tecnológicas que condicionam hoje, direta
ou indiretamente, cada aspecto da existência e, finalmente, de conseguir
responder à busca da felicidade, do bem-estar e da qualidade de vida.
2
– Meio ambiente
A concepção
ecológica concebe o universo como um todo interligado e interconectado
entre si. Reconhece a interdependência fundamental de todos os seres vivos,
não como uma coleção de partes dissociadas, mas como uma
rede de fenômenos articulados e fortemente imbricados, dentro da qual
seres humanos e sociedades participam de forma cíclica dos processos
da natureza.
Neste
sentido, Bertalanffy (1977), com sua Teoria Geral dos Sistemas, enfatiza que
tudo está unido a tudo e que cada organismo não é um sistema
estático fechado ao mundo exterior, mas sim um processo de intercâmbio
com o meio circunvizinho, ou seja, um sistema aberto num estado quase estacionário,
onde materiais ingressam continuamente vindo do meio ambiente exterior e neste
são deixados materiais provenientes do organismo.
Para
Bateson (1987), um sistema vivo não se sustenta somente com a energia
que recebe de fora, mas fundamentalmente pela organização da informação
que o sistema processar.
Esse
processo de interligação foi sabiamente descrito no século
passado por um chefe índio, numa carta enviada ao Presidente dos Estados
Unidos que, de acordo com Dias, em sua obra A carta do Chefe Indígena
Seattle (1993), dizia: “... ensinem às suas
crianças o que ensinamos às nossas, que a Terra é nossa
mãe. Tudo o que acontecer à Terra, acontecerá aos filhos
da Terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos...
à Terra não pertence ao homem; o homem pertence a Terra...
todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família.
Há uma ligação em tudo. Os rios são nossos irmãos,
saciam nossa sede”.
Foi
com a Revolução Industrial que o homem começou realmente
a transformar a face do planeta, a natureza de sua atmosfera e a qualidade de
sua água. O meio ambiente está sendo agredido, devido ao rápido
crescimento da população humana, que provoca declínio cada
vez mais acelerado de sua qualidade e de sua capacidade para sustentar a vida.
O impacto
da espécie humana sobre o meio ambiente tem sido comparado, por alguns
cientistas, às grandes catástrofes do passado geológico
da Terra. A humanidade deve reconhecer que agredir o meio ambiente põe
em perigo a sobrevivência de sua própria espécie e pensar
que o que está em jogo não é uma causa nacional ou regional,
mas sim a existência da humanidade como um todo. É a vida que está
em jogo não podemos conceber um ecossistema sem o homem, não podemos
encontrar o homem sem algum ecossistema.
Com
todos os desastres que têm acontecido com o meio ambiente, percebemos
que o ser humano tem sido capaz de modificar seu meio ambiente para adaptá-lo
às suas necessidades.
Com
o rápido crescimento da população, criou-se uma demanda
sem precedentes, que o desenvolvimento tecnológico pretende satisfazer,
submetendo o meio ambiente a uma agressão que está provocando
o declínio cada vez mais acelerado de sua qualidade e de sua capacidade
para sustentar a vida.
Um
dos impactos que o uso de combustíveis fósseis tem produzido sobre
o meio ambiente terrestre é o aumento da concentração de
dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, dando lugar a um aumento da temperatura
global da Terra.
Outros
males importantes causados pelo ser humano ao meio ambiente são o uso
de pesticidas que contaminam regiões agrícolas e interferem no
metabolismo do cálcio das aves; a erosão do solo, que está
degradando de 20 a 35% das terras de cultivo de todo o mundo; a perda das terras
virgens; o crescente problema mundial do abastecimento de água, como
conseqüência do esgotamento dos aqüíferos subterrâneos,
assim como pela queda na qualidade e disponibilidade da água e a destruição
da camada de ozônio.
Percebe-se,
portanto, que hoje os problemas vividos no mundo são realmente em decorrência
da intervenção humana no planeta e nos ecossistemas. A título
de exemplo podemos citar: destruição da biodiversidade ou a extinção
de espécie; destruição progressiva da camada de ozônio
por gases; efeito estufa ou aquecimento global; crescimento da população
mundial; poluição e indisponibilidade de água potável.
Desde
a década de 50, a deterioração ambiental e sua relação
com o estilo de crescimento econômico já eram objeto de estudo
e preocupação internacional. Cita-se o teólogo luterano
Albert Shweitzer, filósofo, organista intérprete de Bach e médico
missionário que em 1952 recebeu o Prêmio Nobel da Paz por popularizar
a ética ambiental e pelos seus esforços em defesa da “Irmandade
das Nações”. Durante conferência proferida em 20 de
outubro de 1952 na Academia Francesa de Ciências (Paris), sobre o tema
“O problema da ética na evolução do pensamento”,
ele declarou: “quando o homem aprender a respeitar até o menor
ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará
ensina-lo a amar seu semelhante”.
Nos
anos 60, nos Estados Unidos, houve uma profunda mudança na atitude do
povo americano com relação à necessidade de normas ambientais
federais, suscita pela obra “Silent Spring” (Primavera Silenciosa),
de Rachel Carson, uma bióloga marinha norte-americana, que provocou os
políticos à ação. O livro, publicado em 1962, presidiu
o rito de passagem para o momento novo na história humana: o da preocupação
com os rumos do desenvolvimento próprio da sociedade industrial.
“Primavera
Silenciosa” relata os efeitos da má utilização dos
pesticidas e inseticidas químico-sintéticas, alertando sobre as
conseqüências danosas de inúmeras ações humanas
sobre o ambiente.
Carson
iniciou o debate sobre o custo ambiental dessa contaminação para
o homem. Já nessa época, apontava para os prejuízos do
uso de produtos químicos no controle de pragas e doenças, advertindo
que estavam interferindo nas defesas naturais do próprio ambiente e,
segundo Dias (1993), a autora dizia que “nós permitimos que esses
produtos químicos fossem utilizados com pouca ou nenhuma pesquisa prévia
sobre seu efeito no solo, na água, animais selvagens e sobre o próprio
homem”. O livro teve os direitos comprados por uma multinacional de agroquímica
e, diz-se, isto impede sua republicação.
Nos
últimos anos, a preocupação em defender a natureza passou
a ser mundial, devido a afirmações aterradoras como:
√ Nosso
planeta está poluído, sua temperatura se eleva, as erosões
progridem, as áreas agrícolas irrigáveis diminuem, a população
aumenta e os ecossistemas sofrem efeitos devastadores.
√ Mudar
a economia mundial, de acordo com o novo modelo de desenvolvimento ambientalmente
mais adequado, é a única alternativa para a sobrevivência
a longo prazo da humanidade.
√ Os
países desenvolvidos têm hoje menos de 25% da população
mundial, mas consomem 75% de toda a energia produzida, 70% dos combustíveis
comercializados, 85% dos produtos da madeira e 72% do aço.
Portanto,
fica clara a importância da questão ambiental em qualquer discussão
e também dentro dos debates da sociedade, no sentido de enfatizar a consciência
de preservação do meio e a evolução para a gestão
da sustentabilidade, porque, a cada dia, ficam evidentes as conseqüências
das agressões que o homem comete contra a natureza.
3
-– A expressão “Desenvolvimento Sustentável”
entra em cena
O
modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios. Se,
por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a
miséria, a degradação ambiental e a poluição
aumentam dia a dia. Diante dessa constatação, surge a idéia
do desenvolvimento sustentável, buscando conciliar o desenvolvimento
econômico à preservação ambiental e, ainda, ao fim
da pobreza no mundo. Fortalece-se a percepção de que é
imperativo desenvolver, sim, mas sempre em harmonia com as limitações
ecológicas do planeta, ou seja, sem destruir o ambiente, para que as
gerações futuras tenham chance de existir e viver bem, de acordo
com as suas necessidades (melhoria da qualidade de vida e das condições
de sobrevivência).
As
metas do desenvolvimento sustentável são:
√ A
satisfação das necessidades básicas da população
(educação, alimentação, saúde, lazer, etc.).
√ A
solidariedade para com as gerações futuras (preservar o ambiente
de modo que elas tenham chance de viver).
√ A
participação da população envolvida (todos devem
se conscientizar da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte
que lhe cabe para tal).
√ A
preservação dos recursos naturais (água, oxigênio,
etc).
√ A
elaboração de um sistema social, garantindo emprego, segurança
social e respeito a outras culturas (erradicação da miséria,
do preconceito e do massacre de populações oprimidas, como, por
exemplo, os índios).
√ A
efetivação dos programas educativos.
A educação
ambiental é parte vital e indispensável na tentativa de se chegar
ao desenvolvimento sustentável, pois é a maneira mais direta e
funcional de se atingir pelo menos uma de suas metas: a participação
da população.
Educação
para a Vida Sustentável envolve uma pedagogia que coloca a compreensão
da vida com seu ponto central. O educando experimenta um aprendizado no mundo
real que supera nossa alienação da natureza, o que reacende um
sentido de pertinência e desenvolve um currículo que ensina às
nossas crianças os princípios básicos da ecologia, tais
como:
-aquilo
que uma espécie desperdiça é a comida da outra espécie
e a matéria circula continuamente pela da teia da vida;
-a energia
que guia os ciclos ecológicos emana do sol;
-a diversidade
assegura a resiliência;
-que
a vida, desde o seu início, há mais de três bilhões
de anos, não tomou o planeta por combate, mas por atuar em rede.
Essa
pedagogia sugere o planejamento de um currículo integrado, enfatizando
o conhecimento contextual, no qual os vários assuntos são entendidos
como recursos a serviço de um foco central. Uma maneira ideal de alcançar
a integração é aproximar-se da chamada ‘aprendizagem
por projetos”, que consiste em facilitar as experiências de aprendizagem
ao envolver alunos em projetos complexos e contemporâneos, através
dos quais eles desenvolvam e apliquem habilidades e conhecimentos.
Uma
das formas de levar a educação ambiental à comunidade é
pela ação direta do professor na sala de aula e em atividades
extracurriculares. Por meio de atividades como leitura, trabalhos escolares,
pesquisas e debates, os alunos poderão entender os problemas que afetam
a comunidade onde vivem, a refletir e criticar as ações que desrespeitem
e, muitas vezes, destroem um patrimônio que é de todos.
Os professores
são a peça fundamental no processo de conscientização
da sociedade dos problemas ambientais, pois buscarão desenvolver, em
seus alunos, hábitos e atitudes sadios de conservação ambiental
e respeito à natureza transformando-os em cidadãos conscientes
e comprometidos com o futuro do país.
Além
disso, desenvolvimento sustentável introduz uma dimensão ética
e política que considera o desenvolvimento como um processo de mudança
social, com conseqüente democratização do acesso aos recursos
naturais e distribuição eqüitativa dos custos e benefícios
do desenvolvimento.
O grande
desafio do século 21 é então, o de mudar o sistema de valores
que está por trás da economia global, de modo a torná-lo
compatível com as exigências da dignidade humana e da sustentabilidade
ecológica.
4
– A nova missão do ensino superior: educar para o desenvolvimento
sustentável
O rápido
crescimento demográfico, o esbanjamento dos recursos naturais e a degradação
do meio ambiente, a pobreza persistente de grande parte da humanidade, a opressão,
a injustiça e a violência de que padecem ainda milhões de
pessoas, exigem ações corretivas de grande envergadura.
Segundo
Morin (2003), os saberes necessários à educação
do futuro não têm nenhum programa educativo, escolar ou universitário.
Para ele, não estão concentrados no ensino fundamental, no médio,
nem no ensino universitário, mas abordam problemas específicos
para cada um desses níveis. Eles dizem respeito aos buracos negros da
educação, completamente ignorados, subestimados ou fragmentados
nos programas educativos. Programas esses que, na opinião do autor, devem
ser colocados no centro das preocupações sobre a formação
dos jovens, futuros cidadãos.
Um dos
saberes necessários à educação, para Morin (2000),
é a condição planetária, sobretudo na era da globalização.
Esse fenômeno que estamos vivendo hoje, em que tudo está conectado,
é um outro aspecto que o ensino ainda não tocou, assim como o
planeta e seus problemas, a aceleração histórica, a quantidade
de informação que não conseguimos processar e organizar.
Existe neste momento um destino comum a todos os seres humanos.
Compreender
a noção de desenvolvimento sustentável na prática
educativa é uma noção que continua a ter um sentido muito
vago. O mundo desenvolvido não mostra grande entusiasmo perante tal obrigação.
Ao contrário, os países em desenvolvimento reconhecem a seriedade
da questão, dizendo – e o argumento tem perfeita justificação
– que vivem há muitos anos consumindo apenas o estritamente necessário
e que têm, pois, o direito de dispor no futuro de uma fatia maior dos
recursos.
Para
ter acesso a uma melhor qualidade de vida, devemos melhorar os nossos conhecimentos.
Maturana (1998) diz que o verdadeiro conhecimento não leva ao controle
ou à tentativa de controle, mas leva ao entendimento, à compreensão,
a uma harmônica e ajustada aos outros e ao meio. Para ele, conhecer é
viver, viver é conhecer. Diz ainda que todo conhecer é uma ação
efetiva que permite a um ser vivo continuar sua existência no mundo que
ele mesmo traz à tona ao conhecê-lo.
É
preciso progredir no campo da ciência e da tecnologia, das ciências
sociais e humanas. Para garantir a qualidade a nível humano, é
preciso melhorar também o sistema de valores. A sabedoria consiste, exatamente,
na íntima aliança entre conhecimentos e valores.
Segundo
Mayor (1998), a educação é a chave do desenvolvimento sustentável,
auto-suficiente – uma educação fornecida a todos os membros
da sociedade segundo modalidades novas e com a ajuda de tecnologias novas, de
tal maneira que cada um se beneficie de chances reais de se instruir ao longo
da vida. Devemos estar preparados, em todos os países, para remodelar
o ensino, de forma a promover atitudes e comportamentos que sejam portadores
de uma cultura da sustentabilidade.
É
aí que entram em jogo as universidades, assim como todos os estabelecimentos
de ensino superior, que assumem uma responsabilidade essencial na preparação
das novas gerações para um futuro viável. Pela reflexão
e por seus trabalhos de pesquisa básica, esses estabelecimentos devem
não somente advertir, ou mesmo dar o alarme, mas também conceber
soluções racionais. Devem tomar a iniciativa e indicar possíveis
alternativas, elaborando esquemas coerentes para o futuro. Devem, enfim, fazer
com que se tome consciência maior dos problemas e das soluções
através de seus programas educativos e dar, eles mesmos, o exemplo.
Os trabalhos
desenvolvidos dentro das instituições de ensino de nível
superior têm um efeito multiplicador, pois cada estudante, convencido
das boas idéias da sustentabilidade, influencie o conjunto, a sociedade,
nas mais variadas áreas de atuação.
Todos
os estabelecimentos de ensino superior estão bastante conscientes do
papel que devem cumprir na preparação das novas gerações
para um futuro viável. As universidades envolvidas partilham a convicção
de que o progresso econômico e a proteção ambiental estão
indissoluvelmente ligados. Um não tem futuro sem o outro como demonstra
a figura 1
Figura
1 Interpretação do Desenvolvimento Sustentável

Adaptado
de González & Abadía
A educação
está sendo, nos dias de hoje, repensada como uma preparação
para a vida: trata-se de garantir a segurança do emprego e a aptidão
para o trabalho, de permitir a cada um satisfazer às demandas de uma
sociedade em rápida evolução, assim como as mudanças
tecnológicas que condicionam hoje, direta ou indiretamente, cada aspecto
da existência e, finalmente, de conseguir responder à busca da
felicidade, do bem-estar e da qualidade de vida.
Para
Kornhauser (2001), a educação é o cimento da construção
do desenvolvimento humano sustentável. É preciso elaborar estratégias
e programas de educação relacionados com o ambiente, que abranjam
tanto o ensino escolar como a educação informal, que adotem a
perspectiva da educação permanente a ser desenvolvida pelos poderes
públicos, o setor produtivo, o comércio e as comunidades locais.
5
– A universidade do século XXI rumo ao desenvolvimento sustentável
O
desafio do desenvolvimento sustentável procura, na universidade, um agente
especialmente equipado para liderar o caminho, porque a sua missão é
o ensino e a formação dos decisores do futuro ou dos cidadãos
mais capacitados para a tomada de decisão, porque é rica e extensiva
a sua experiência em investigação interdisciplinar e porque
a sua natureza fundamental de motor do conhecimento lhe imprime um papel essencial
num mundo cujas fronteiras se dissolvem a cada dia.
A Organização
das Nações Unidas (ONU) deu os primeiros sinais às universidades
quanto ao seu papel no caminho global para o desenvolvimento sustentável.
Os documentos associados às Conferências em Desenvolvimento Humano
em 1972 e em Ambiente e Desenvolvimento – UNCED em 1999, explicitam objetivos
e medidas dirigidas às instituições de ensino superior
(quadro 1).
Documento |
Objetivos |
Medidas
Recomendadas |
| UNCHD
(1972)
Declaração
de Estocolmo
(Princípios
9 e 24) |
Prever
e/ou minorar aspectos contrários ao DS. |
Formulação
de acordos multi- ou bilaterais ou de outras formas de cooperação
(nomeadamente em transferência tecnológica). |
| UNCED
(1991)
Relatório
do Comitê Preparatório |
Envolver
todos na educação para o DS. |
Envolvimento
de decisores no governo, de especialistas que os aconselhem nas universidades,
institutos de investigação, etc. |
| UNCED
(1992)
Declaração
do Rio (Princípio 9) |
Fortalecer
o desenvolvimento de capacidades para o DS. |
Intercâmbio
de conhecimento científico e tecnológico. Desenvolvimento,
adaptação, difusão e transferência de tecnologias,
incluindo as novas e inovativas. |
| UNCED
(1992)
Agenda
21
(Capítulos
31, 34, 35 e 36) |
Clarificar
o papel da ciência e tecnologia no DS. |
(Re)desenho
dos programas nacionais em Ciência e Tecnologia por forma a clarificar
contribuições do sector para o DS e identificar funções/
responsabilidades do sector no desenvolvimento humano. |
| Gerar
e disseminar conhecimento e informação em DS. |
Produção
de avaliações científicas de longo prazo sobre depleção
dos recursos, uso da energia, impactos na saúde e tendências
demográficas, e tornar públicas em formas amplamente compreendidas. |
| |
|
Fonte:http:www;campus.unl.pt
Quadro I – A ONU e as universidades
no âmbito do Desenvolvimento Sustentável (1972-1992)
As
universidades estão cada vez mais conscientes do papel que têm
a desempenhar para preparar as novas gerações para um futuro viável.
Nos anos 80, a publicação do Relatório Brandtland e também
da cúpula “Planeta Terra” do Rio, as universidades se esforçaram
para definir e ao mesmo tempo assumir seu papel no que se refere ao ensino para
um futuro viável. Com essa finalidade, em diferentes períodos
e lugares, eles propuseram e adotaram declarações ambiciosas,
onde apareciam os grandes princípios e objetivos do processo de reforma
que estavam prontos a adotar. Neste sentido pode-se citar os seguintes documentos
como declarações para o desenvolvimento sustentável: a
resposta das universidades:
5.1
– Declaração de Talloires – em outubro de 1990
vinte presidentes de universidades, os reitores e pró-reitores das universidades
de todas as regiões do mundo mostraram seus interesses sobre a velocidade
crescente da poluição e da degradação ambientais
e a depleção de recursos naturais. Esta declaração
foi assinada no Centro Europeu da Universidade de Tufts, Talloires, França.
Consta
na declaração que as universidades têm um papel crucial
na educação, investigação, formação
de políticas e troca de informação necessários à
concretização destes objetivos e que os líderes universitários
têm que garantir a liderança e apoio na mobilização
dos recursos internos e externos, de forma a que as suas instituições
respondam a este desafio urgente. Para isto tem as seguintes ações:
√ aumentar
a consciência para o desenvolvimento ambientalmente sustentável
– usar todas as oportunidades para reforçar a consciência
pública, governamental, industrial, institucional e universitária,
defendendo publicamente a necessidade urgente de caminhar rumo a um futuro ambientalmente
sustentável.
√ criar
uma cultura institucional da sustentabilidade – encorajar todas as
universidades a envolver-se na educação, investigação,
formação de políticas e troca de informação
sobre a população, ambiente e desenvolvimento rumo a um futuro
mais sustentável.
√ educar
para a cidadania ambientalmente responsável – estabelecer programas
para produzir conhecimento em gestão ambiental, desenvolvimento econômico
sustentável, população e domínios relacionados,
de forma a assegurar que todos os graduados universitários sejam formados
em ambiente e cidadãos responsáveis.
√ incentivar
a literatura ambiental – criar programas para desenvolver a capacidade
do corpo docente de cada faculdade de ensinar matérias ambientais a todos
os estudantes universitários.
√ praticar
a ecologia institucional - estimular os dirigentes universitários
e os docentes e investigadores ambientais a desenvolver investigação,
políticas, programas de intercâmbio de informação
e curricular para um futuro ambientalmente sustentável.
√ envolver
todas as partes interessadas – encorajar governos, fundações
e indústria a apoiar a investigação interdisciplinar, a
educação, o desenvolvimento de políticas e o intercâmbio
de informação em desenvolvimento ambientalmente sustentável.
Expandir o trabalho com as comunidades locais e as organizações
não governamentais para ajudar a encontrar soluções para
os problemas ambientais.
√ colaborar
para abordagens interdisciplinares – reunir professores e gestores
universitários com técnicos ambientais de forma a desenvolver
abordagens interdisciplinares aos currículos e a iniciativas de investigação,
operação e comunicação que suportem um futuro ambientalmente
sustentável.
√ aumentar
a capacidade das escolas primárias e secundárias – estabelecer
parcerias com as escolas primárias e secundárias para potenciar
as capacidades dos seus professores em ensinar sobre assuntos relacionados com
a população, o ambiente e o desenvolvimento sustentável
√.
alargar o serviço e o alcance, nacional e internacionalmente –
trabalhar com a Conferência da ONU em Ambiente e Desenvolvimento (UNCED),
o Programa Ambiental da ONU (UNEP) e outras organizações internacionais
e nacionais para promover um esforço universitário global rumo
a um futuro sustentável
√.
manter o movimento – estabelecer um comitê de acompanhamento
e um secretariado para continuar este momentum, informar e apoiar mutuamente
os esforços na efetivação desta declaração
Os
signatários da declaração de Talloires, comprometem-se
a criar uma cultura institucional da sustentabilidade, encorajando todas as
universidades a envolverem-se na educação, investigação,
formação de políticas e intercâmbio de informação
em ambiente e desenvolvimento.
5.2
– Declaração de Halifax – um ano mais tarde, em
dezembro de 1991 em Halifax – Canadá, os representantes sêniores
do IAU – Associação Internacional das Universidades, da
Universidade Unida das Nações e da Associação das
Universidades e Faculdades do Canadá, juntaram-se com 20 presidentes
das universidades das várias partes do mundo para discutir as seguintes
ações a todas as universidades:
√ utilizar
os recursos intelectuais da universidade para incentivar uma compreensão
melhor por parte da sociedade dos perigos físicos, biológicos
e sociais relacionados que enfrentam o planeta terra.
√ para
enfatizar a obrigação ética da geração atual
superar aquelas mal práticas da utilização de recursos
e daquelas circunstâncias difundidas do ser humano que se encontram na
raiz da insustentabilidade ambiental.
√ para
realçar a capacidade da universidade ensinar e praticar princípios
sustentáveis, para aumentar o interesse ambiental e para aumentar a compreensão
da ética ambienta entre a faculdade, os estudantes e o público
em geral.
√ para
cooperar com todos os segmentos da sociedade e na perseguição
de medidas práticas conseguir a revisão e a reversão eficazes
daquelas práticas da corrente que contribuem à degradação
ambiental.
√ para
empregar todas as comunicações entre universidade enfatizando
estes empreendimentos a UNCED, aos governos e ao público em geral.
A Declaração
de Halifax foi liberada na conclusão da conferência.
5.3
– Declaração de Swansea – em agosto de 1993 na
conclusão da conferência quinquenial das universidades da comunidade
(ACU) os participantes expressaram a opinião que as soluções
aos problemas ambientais seriam eficazes se tivesse a participação
de toda a sociedade na busca da sustentabilidade. Para isto desencadeou as seguintes
ações:
√ para
incitar as universidade da ACU procurar estabelecer e disseminar uma compreensão
mais desobstruída do desenvolvimento sustentável – desenvolvimento
que se encontra com as necessidades do presente sem comprometer as necessidades
das gerações futuras e incentivar os princípios e as práticas
sustentáveis mais apropriadas do desenvolvimento nos níveis locais,
nacionais e globais, nas maneiras consistentes com suas missões.
√ para
utilizar recursos da universidade incentivando na melhor compreensão
na parte dos governos e no público em grandes perigos físicos,
biológicos e sociais relacionados que enfrentam a terra e para reconhecer
a interdependência significativa e as dimensões internacionais
do desenvolvimento sustentável.
√ para
enfatizar a obrigação ética da geração atual
superar aquelas práticas da utilização do recurso e
aquelas circunstâncias difundidas
√ para
realçar a capacidade da universidade ensinar e praticar princípios
sustentáveis, para aumentar o interesse ambiental e para aumentar a compreensão
da ética ambienta entre a faculdade, os estudantes e o público
em geral.
√ para
cooperação com todos os segmentos da sociedade e na perseguição
de medidas práticas conseguir a revisão e a reversão eficazes
daquelas práticas da corrente que contribuem à degradação
ambiental.
√ para
incentivar universidades rever suas próprias operações
para refletir as melhores práticas sustentáveis
√ para
pedir urgente ao conselho da ACU considerar e executar as maneiras e os
meios, dar vida a esta declaração na missão de cada um
de seus membros e com a empresa comum da ACU.
Esta
declaração foi feita na Universidade do Wales, Swansea no dia
20 de agosto de 1993 e já foi liberada na conclusão da associação
da conferência das universidades.
5.4
– Acordos da Conferência da Terra – Até a Conferência
do Rio (UNCED), as universidades praticamente estiveram fora do palco da discussão
sobre o desenvolvimento sustentável. A experiência trouxe uma
lição clara: as universidades não se devem esquivar ao
desafio, pois de acordo com IAU, 1993, se não nos envolvermos, se não
usarmos as nossas forças combinadas para ajudar a resolver os problemas
emergentes da nossa sociedade global, então seremos ignorados no despertar
de um outro motor de mudança, uma outra agência ou estrutura que
será convidada a promover a liderança.
Agenda
21 local – capítulo 36 - promover a educação,
a consciência pública e a formação.
Área
programática – reorientar a educação para o desenvolvimento
sustentável - ONU, 1992. Bases para a ação:
√ a
educação, incluindo a educação formal, a consciência
pública e a formação, devem ser reconhecidas como um
processo através do qual os seres humanos e as sociedades podem alcançar
o seu completo potencial.
√ a
educação é vital à promoção do
desenvolvimento sustentável e à melhoria das capacidades humanas
em lidar com as questões do ambiente e do desenvolvimento.
√ enquanto
a educação básica fornece as bases para qualquer educação
em ambiente e desenvolvimento, as posteriores necessitam ser incorporadas como
uma parte essencial da aprendizagem.
√ a
educação formal e a educação não-formal
são ambas indispensáveis na mudança de atitudes que capacitará
as pessoas a avaliar e resolver as suas preocupações de desenvolvimento
sustentável.
√ é
também vital ao alcance de uma ética e consciência ambiental,
de valores e atitudes, habilidades e comportamentos consistentes com o desenvolvimento
sustentável e para uma efetiva participação pública
nos processos decisórios.
√ para
ser efetiva, a educação ambiental e de desenvolvimento deve
lidar com as dinâmicas biofísicas e socioeconômicas do ambiente
e de desenvolvimento (que pode também ser espiritual) humano, deve ser
integrada em todas as disciplinas e deve empregar métodos formais e não-formais
e meios efetivos de comunicação.
5.5
– Declaração de Kyoto – promovida pela Associação
Internacional das Universidades (IAU), sublinha a dimensão ética
da educação para o desenvolvimento sustentável, que além
de ensinar princípios deve promover práticas igualmente sustentáveis.
Na 9ª Mesa Redonda da IAU, que ocorreu em Kyoto (Japão) a 19
de novembro de 1993, cerca de 90 líderes universitários reuniram-se
para discutir e adotar uma declaração de princípios, baseada
nas declarações emanadas das conferências de Talloires (ULSF,
1990), Halifax (AUCC, 1991) e Swansea (ACU, 1993). As ações foram
as seguintes:
√ pressionar
as universidades em todo o mundo a procurar, estabelecer e disseminar uma
compreensão mais clara do conceito de «desenvolvimento sustentável»
- «o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer
as necessidades das gerações futuras» - e encorajar princípios
e práticas de desenvolvimento sustentável mais apropriados ao
nível local, nacional e global, de formas mais concentâneas com
as suas missões.
√ utilizar
os recursos das universidades para encorajar uma melhor compreensão,
por parte dos governos e do público em geral, dos perigos inter-relacionados
físicos, biológicos e sociais que ameaçam o planeta Terra
e para reconhecer a interdependência significativa e as dimensões
internacionais do desenvolvimento sustentável.
√ sublinhar
a obrigação ética da geração presente
em ultrapassar as práticas de utilização dos recursos e
as disparidades globalmente disseminadas que estão na base da insustentabilidade
ambiental.
√ potenciar
a capacidade da universidade de: ensinar, investigar e agir no seio da sociedade
de acordo com os princípios de desenvolvimento sustentável; aumentar
a literatura ambiental e melhorar a compreensão da ética ambiental
no meio acadêmico e entre o público em geral.
√ cooperar
entre si e com todos os segmentos da sociedade na procura de medidas práticas
e de política que alcancem o desenvolvimento sustentável e assim
assegurem os interesses das gerações futuras.
√ encorajar
as universidades a rever as suas próprias operações
por forma a refletir as melhores práticas de desenvolvimento sustentável.
√ solicitar
ao conselho administrativo da IAU que considere e implemente as formas e
meios adequados à vitalização da presente Declaração,
refletida na missão de cada um dos seus membros e na política
conjunta da IAU.
5.6
– Carta Copernicus - A Carta Copernicus, chamada de Carta Patente
da Universidade para o Desenvolvimento Sustentável, define os princípios
de ação a serem adotas pelas universidades rumo ao desenvolvimento
sustentável. O Programa COPERNICUS (Cooperation Program for Environmental
Research in Nature and Industry through Coordinated University Studies)
é um programa de cooperação européia para a pesquisa
sobre a natureza e a indústria com os estudos coordenados da universidade
e foi lançado pela Conferência dos Reitores da Europa (CRE) em
1988.
Este
programa é o principal agente regional em diálogo nesta matéria
a nível internacional e trabalha em parceria com a Associação
das Universidades Européias (EUA), o Instituto de Investigação
para a Europa Sustentável (SERI), a Associação Ambiental
das Universidades e Faculdades do Reino Unido (EAUC) e algumas universidades
singularmente proativas em desenvolvimento sustentável no espaço
europeu.
Tendo
como visão tornar a sustentabilidade uma marca registrada tanto do espaço
europeu da investigação como do espaço europeu da educação,
o programa COPERNICUS desenvolve a sua própria estratégia de ação
consubstanciada nos princípios de sua carta conforme quadro 2.
| Objetivos
gerais |
Prioridades |
Áreas-chave |
Ações
COPERNICUS |
| Identificar
formas das universidades ajudarem a sociedade a responder ao desafio
do DS |
Gerar
conhecimento em DS |
Investigação
multidisciplinar
Redes
de peritos |
Seminário
virtual em expansão e DS |
| Disseminar
conhecimento em DS aos alunos |
Formação
de professores
Currículos
universitários em DS |
|
| Disseminar
conhecimento em DS à sociedade |
Parcerias
e redes de trabalho a nível local
Serviço
à sociedade em:
-ciência
e investigação;
-definição
de políticas; desenvolvimento de capacidades;
-transferência
tecnológica |
Conferências
anuais, desde 1998:
Sustainable
Universities: inter-, multi-and trans-disciplinary issues and options,
(Barcelona, 1999) |
| Alcançar
a sustentabilidade nas universidades |
Implementar
práticas ambientalmente responsáveis pelas e nas universidades |
Promover
a gestão ambiental das universidades;
Promover
padrões sustentáveis de produção e consumo
nas universidades |
Projetos:
-Universidade
de baixa energia;
-Campus-solar
europeu
-Química
sustentável |
Fonte:
http://www.copernicus-campus.org
Quadro
2 – Estratégia do Programa Copernicus para o Desenvolvimento Sustentável
A carta
patente foi introduzida e apresentada à Conferência bianual de
CRE em Barcelona em outubro de 1993 e assinada em Genebra em abril de 1994 por
um conjunto de 196 universidades européias.
5.6.1
- Preâmbulo - A exploração da biosfera pelo Homem ameaça
hoje a sua própria existência e delicado equilíbrio. Ao
longo das últimas décadas, as pressões sobre o ambiente
global tornaram-se auto-evidentes, fazendo erguer uma voz comum pelo desenvolvimento
sustentável. Nas palavras do Relatório Bruntland, nós temos
que aprender a cuidar das necessidades presentes sem comprometer a capacidade
das gerações futuras de em qualquer parte satisfazerem as suas
próprias necessidades.
A consciência
está aí. O que falta é uma estratégia compreensível
para construir um futuro sustentável eqüitativo para todos os seres
humanos, como foi sublinhado pela Conferência do Rio (UNCED) Conferência
das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Ambiental, em 1992.
Essa estratégia requer um novo enquadramento mental e novo conjunto de
valores.
A educação
é essencial à promoção de tais valores e para aumentar
as capacidades das pessoas de enfrentar as questões ambientais e de desenvolvimento.
A educação a todos os níveis, especialmente a educação
universitária para a formação de decisores e professores,
deve ser orientada para o desenvolvimento sustentável e forjar atitudes,
padrões de capacidade e comportamento ambientalmente conscientes, tal
como um sentido de responsabilidade ética. A educação tem
que se tornar educação ambiental no sentido mais lato do termo.
5.6.2
- O papel das universidades - As universidades e equivalentes instituições
de ensino superior formam as futuras gerações de cidadãos
e possuem conhecimentos de especialidade em todos os campos da investigação,
tanto em tecnologia como nas ciências naturais, humanas e sociais.
É
conseqüentemente seu dever propagar a literatura ambiental e promover a
prática de uma ética ambiental na sociedade, em concordância
com os princípios definidos na Magna Carta das Universidades Européias
e subseqüentes declarações universitárias e com as
recomendações da UNCED para o ambiente e desenvolvimento.
Na
verdade, as universidades são cada vez mais chamadas a desempenhar um
papel preponderante no desenvolvimento de uma forma de educação
multidisciplinar e eticamente orientada, de forma a encontrar soluções
para os problemas ligados ao desenvolvimento sustentável. Elas devem,
portanto assumir um compromisso para com um processo contínuo de informação,
educação e mobilização de todas as partes relevantes
da sociedade com relação às conseqüências da
degradação ecológica, incluindo o seu impacto sobre o ambiente
global e as condições que garantem um mundo sustentável
e justo.
Para
alcançar estes objetivos e cumprir a sua missão básica,
as universidades são pressionadas a desencadear todos os esforços
para subscrever e implementar os dez princípios de ação
abaixo definidos.
√ compromisso
institucional – as universidades devem demonstrar um compromisso real
para com a teoria e prática da proteção ambiental e do
desenvolvimento sustentável no seio da comunidade acadêmica.
√ ética
ambiental – as universidades devem promover entre os seus docentes,
alunos e o público em geral padrões de consumo sustentáveis
e um estilo de vida ecológico, estimulando paralelamente programas que
desenvolvam as capacidades do corpo docente para ensinar literatura ambiental.
√ educação
dos funcionários universitários – as universidades deverão
proporcionar educação, formação e encorajamento
aos seus funcionários em matérias ambientais, para que eles possam
prosseguir o seu trabalho de uma forma ambientalmente responsável.
√ programas
de educação ambiental – as universidades deverão
incorporar uma perspectiva ambiental em todo o seu trabalho e estabelecer programas
de educação ambiental envolvendo docentes, investigadores e estudantes,
expondo-os a todos aos desafios globais do ambiente e desenvolvimento, seja
qual for o seu campo de trabalho ou estudo.
√ interdisciplinaridade
– as universidades devem encorajar a educação interdisciplinar
e colaborativa e programas de investigação relativos ao desenvolvimento
sustentável enquanto parte da missão central da instituição.
As universidades devem também procurar ultrapassar os instintos competitivos
entre disciplinas e departamentos.
√ disseminação
do conhecimento – as universidades devem apoiar esforços para
suprir as falhas na atual literatura disponível aos estudantes, profissionais,
decisores e público em geral, preparando material didático informativo,
organizando leituras públicas e estabelecendo programas de formação.
Elas devem também estar preparadas para participar em auditorias ambientais.
√ redes
de trabalho – as universidades devem promover redes interdisciplinares
de peritos ambientais ao nível local, nacional, regional e internacional,
com o objetivo e colaborar em projetos ambientais comuns de ensino e investigação.
Para isto, a mobilidade de estudantes deve ser encorajada.
√ parcerias
– as universidades deverão tomar a iniciativa de forjar parcerias
com outros sectores preocupados da sociedade, de modo a desenhar e implementar
abordagens, estratégias e planos de ação coordenados.
√ programas
de educação contínua – as universidades deverão
inventar programas de educação ambiental sobre estes assuntos
e para diferentes grupos-alvo, por exemplo: empresas, agências governamentais,
organizações não-governamentais, meios de comunicação
social.
√ transferência
tecnológica – as universidades devem contribuir para programas
educacionais concebidos para a transferência de tecnologias de educação
e inovação e métodos de gestão avançados.
5.7
– Declaração dos estudantes para um futuro sustentável
– organizado pelo CEED – Comunidade Ambiental de Desenvolvimento
Educacional, o evento ganhou respaldo no Reino Unido, na Universidade de Sunderland
com 80 pessoas de 34 universidades e faculdades britânicas nos dias 2
a 05 de julho de 1995. Foi discutido a responsabilidade ambiental dos estudantes
na tentativa particular de moldar uma declaração abrangendo ações
mais adicional. Nesta época, os participantes da conferência desenvolveram
guias para a ação, tendo como o começo de um acoplamento
entre estudantes e as agendas ambientais institucionais e internacionais.
5.8
– Parceria Global do Ensino Superior para o Desenvolvimento Sustentável
– GHESP – esta parceria foi formada em 2000 pela ULSE
– University Leaders for a Sustainable Future - Universidade Líder
para um Futuro Sustentável, COPERNICUS-CAMPUS, IAU - Associação
Internacional das Universidades e UNESCO – Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e
a Cultura, em resultado do programa de trabalho da Comissão para o Desenvolvimento
Sustentável das Nações Unidas (CSD-UM) e antecipando a
Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (WSSD). Essa
parceria teve como primeiro produto a Declaração de Liuneburgo
em 10 de outubro de 2001. Esta Declaração é a instrução
mais elevada para o desenvolvimento sustentável.
5.9
– Declaração de Luneburg – esta declaração,
emanada da conferência sobre o ensino superior para o desenvolvimento
sustentável, relembra os compromissos assumidos e, num esforço
de efetivar o seu cumprimento, define metas concretas a atingir pela GHESP,
em representação de mais de 1000 universidades a nível
mundial, nos próximos cinco anos. Dentre estas metas, salientam-se:
√ criar
um ambiente de aprendizagem global para o ensino superior para o desenvolvimento
sustentável;
√ produzir
um pacote de ferramentas orientadas para a ação universitária,
incluindo estratégias de implementação à medida,
estratégias para a reforma em áreas específicas da atividade
universitária, um inventário dos recursos disponíveis e
outro de melhores práticas e casos de estudo.
A criação
da GHESP e o seu trabalho comprova que antes de educar cidadãos para
enfrentar o desafio do desenvolvimento sustentável importa educar as
universidades para assumirem a sua missão nesse desafio.
5.10
– Declaração de UBUNTU – dirige um apelo à
ONU em 2002, no sentido de esta designar os educadores como o décimo
grupo de intervenientes-chave no processo da Conferência Mundial sobre
o Desenvolvimento Sustentável de Joanesburgo - WSSD. E que reforça
o compromisso das universidades na criação de um espaço
de aprendizagem global em educação e sustentabilidade, a desenvolver
com base em redes internacionais e mediante a criação de centros
de excelência regionais que congreguem todas as instituições
formais de ensino, do fundamental ao superior.
5.11
– Conferências Internacionais sobre Gestão Ambiental para
as Universidades Sustentáveis – EMSU – conferência-franja
da Conferência WSSD, reuniu 150 delegados em torno da pergunta: qual o
papel do ensino superior no desenvolvimento sustentável? Uma resposta
particular mereceu especial atenção e foi apresentada pela Universidade
Politécnica da Catalunha, sob a seguinte forma, conforme mostra a figura
2.

Fonte:
http://www.campusfct.unl.pt.
Figura
2 – O papel da universidade na sociedade, relativamente ao desenvolvimento
sustentável
Neste
modelo surgem distintos quatro níveis de intervenção para
as universidades:
1
– educação dos decisores para um futuro sustentável;
2
– investigação de soluções, paradigmas
e valores que sirvam uma sociedade sustentável;
3
– operação dos campus universitários como
modelos e exemplos práticos de sustentabilidade à escala local;
4
– coordenação e comunicação entre os
níveis anteriores e entre estes e a sociedade.
Neste
sentido, as universidades são diariamente chamadas a exercer um papel
de liderança na proposição de uma forma de educação
inter(trans) disciplinar que comporte uma dimensão ética e que
tenha por objetivo conceber soluções para os problemas ligados
ao desenvolvimento sustentável.
6
– CONCLUSÃO
Ao longo
das últimas décadas, as pressões sobre o ambiente global
tornaram-se auto-evidentes, fazendo erguer uma voz comum pelo desenvolvimento
sustentável. Essa estratégia requer um novo enquadramento mental
e novo conjuntos de valores.
A
educação é essencial à promoção de
tais valores e para aumentar as capacidades das pessoas de enfrentar as questões
ambientais e de desenvolvimento. A educação em todos os níveis,
especialmente a educação universitária para a formação
de gestores e professores, deve ser orientada para o desenvolvimento sustentável
e forjar atitudes, padrões de capacidade e comportamento ambientalmente
conscientes, tal como um sentido de responsabilidade ética.
Todos
os estabelecimentos de ensino superior estão bastante conscientes do
papel que devem cumprir na preparação das novas gerações
para um futuro sustentável. As universidades envolvidas partilham a convicção
de que o progresso econômico e a proteção ambiental estão
indissoluvelmente ligados.
Neste
sentido, as universidades são diariamente chamadas a exercer um papel
de liderança na proposição de uma forma de educação
inter(trans)disciplinar que comporte uma dimensão ética e que
tenha por objetivo conceber soluções para os problemas ligados
ao desenvolvimento sustentável.
A
universidade é, dentre as várias instituições de
ensino formal, aquela à qual compete ministrar o mais elevado grau de
ensino, o superior, ou seja, o da educação para máxima
capacitação e qualificação dos seus cidadãos
na resolução e antecipação dos problemas que mais
a afetam. E para cumprir esta missão, a universidade busca incessantemente
as raízes e soluções desses problemas, por meio da investigação
e do desenvolvimento de metodologias e ferramentas novas e inovativas.
Fouto
(2002) diz que o ensino é o cerne da atividade da universidade e a educação
a sua missão primeira. Face aos objetivos de desenvolvimento sustentável,
a educação para o desenvolvimento sustentável será,
portanto, o principal papel da universidade no século XXI.
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