A QUESTÃO AMBIENTAL E OS
RESÍDUOS INDUSTRIAIS
AUTORIA: Maria
Elisabeth Pereira Kraemer
Contadora,
CRC/SC nº 11.170, Professora e integrante da
Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da
UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em
Relações Econômicas Sociais e
Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal.
Doutoranda em
Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social
da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN –
Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
ENDEREÇO: Avenida Joca Brandão nº 111,
Edifício Dona Emília, apto 902 - Centro. CEP 88.301-300 -
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A QUESTÃO AMBIENTAL E OS
RESÍDUOS INDUSTRIAIS
Resumo
Produzidos em todos os
estágios das atividades humanas, os resíduos, em termos tanto de
composição como de volume, variam em função das
práticas de consumo e dos métodos de produção. As
principais preocupações estão voltadas para as
repercussões que podem ter sobre a saúde humana e sobre o meio
ambiente (solo, água, ar e paisagens). Os resíduos perigosos, produzidos sobretudo pela indústria, são particularmente
preocupantes, pois, quando incorretamente gerenciados, tornam-se uma grave
ameaça ao meio ambiente.
Palavras chave:
resíduos; industrias;
1 – Introdução
A compreensão da
problemática do lixo e a busca de sua resolução
pressupõem mais do que a adoção de tecnologias. Uma
ação na origem do problema exige reflexão não sobre
o lixo em si, no aspecto material, mas quanto ao seu significado
simbólico, seu papel e sua contextualização cultural, e
também sobre as relações históricas estabelecidas
pela sociedade com os seus rejeitos.
As mudanças ainda são lentas na
diminuição do potencial poluidor do parque industrial brasileiro,
principalmente no tocante às indústrias mais antigas, que
continuam contribuindo com a maior parcela da carga poluidora gerada e elevado
risco de acidentes ambientais, sendo, portanto, necessários altos
investimentos de controle ambiental e custos de despoluição para
controlar a emissão de poluentes, o lançamento de efluentes e o
depósito irregular de resíduos perigosos.
2 – Resíduos
A década de 70 foi a década da água, a de 80 foi a década
do ar e a de 90, de resíduos sólidos, conforme Cavalcanti (1998).
Isso não foi só no Brasil. Nos Estados Unidos também se
iniciou a abordagem relativa a resíduos sólidos somente no limiar
da década de 80, quando foi instaurado o Superfund que era uma legislação específica que visava
recuperar os grandes lixões de resíduos sólidos que havia
e ainda há espalhados nos EUA. E essa abordagem propiciou a
Agência de Proteção Ambiental – EPA a fazer toda uma
legislação sobre resíduos sólidos, que constava no Federal Register
nº 40.
Segundo Leripio (2004), somos a sociedade do lixo, cercados
totalmente por ele, mas só recentemente acordamos para este triste
aspecto de nossa realidade. Ele diz ainda que, nos últimos 20 anos, a
população mundial cresceu menos que o volume de lixo por ela
produzido. Enquanto de 1970 a
1990 a
população do planeta aumentou em 18%, a quantidade de lixo sobre
a Terra passou a ser 25% maior.
Nos Estados Unidos, de
acordo com Leripio (2004) ,
o grande volume de lixo gerado pela sociedade está fundamentado no
famoso “american way
of life” que
associa a qualidade de vida ao consumo de bens materiais. Este padrão de
vida alimenta o consumismo, incentiva a produção de bens
descartáveis e difunde a utilização de materiais
artificiais.
Na Europa, a
situação dos resíduos é caracterizada por uma forte
preocupação em relação à
recuperação e ao reaproveitamento energético. A
dificuldade de geração de energia, devida aos escassos recursos
disponíveis e aliada a um alto consumo energético, favorece a
estratégia de reciclagem dos materiais e seu aproveitamento
térmico. O autor acima menciona que na indústria do
alumínio, por exemplo, 99% dos resíduos da produção
são reutilizados, enquanto a indústria de plástico chega a
88% de reaproveitamento de suas sobras. Do total de resíduos municipais
europeus, cerca de 24% são destinados à
incineração, sendo 16% com reaproveitamento energético.
Na China, país de
extensão territorial considerável e com grande contingente populacional
concentrado nas cidades, o povo considera os resíduos orgânicos
como uma responsabilidade do cidadão, ou melhor, do gerador. Este tipo
de valor cultural facilita a introdução de métodos mais
racionais de controle dos resíduos sólidos, com participação
ativa da população. Há um envolvimento individual do
cidadão chinês com vistas à reintegração dos
resíduos à cadeia natural da vida do planeta. A massa dos
resíduos sólidos urbanos é composta predominantemente de
material orgânico que é utilizado na agricultura. Assim, o
resíduo não é visto como um problema, mas sim como uma
solução para a fertilização dos solos, o que
estimula a formação de uma extensa rede de compostagem
e biodigestão de resíduos. Esta
diferença de tratamento fundamenta-se em valores culturais totalmente
diferenciados dos ocidentais, que originaram outro paradigma para tratamento da
questão.
Resíduos são o resultado de processos de diversas atividades
da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial,
agrícola, de serviços e ainda da varrição
pública. Os resíduos apresentam-se nos estados sólidos,
gasoso e líquido.
3 – Classificação dos resíduos
De acordo com o site http://www.ambientebrasil.com.br,
os resíduos são classificados:
®
Quanto às características físicas:
Ö Seco: papéis,
plásticos, metais, couros tratados, tecidos, vidros, madeiras,
guardanapos e tolhas de papel, pontas de cigarro, isopor, lâmpadas,
parafina, cerâmicas, porcelana, espumas, cortiças.
Ö Molhado: restos de comida, cascas
e bagaços de frutas e verduras, ovos, legumes, alimentos estragados,
etc.
®
Quanto à composição química:
Ö Orgânico: é
composto por pó de café e chá, cabelos, restos de
alimentos, cascas e bagaços de frutas e verduras, ovos, legumes,
alimentos estragados, ossos, aparas e podas de jardim.
Ö Inorgânico: composto por produtos
manufaturados como plásticos, vidros, borrachas, tecidos, metais
(alumínio, ferro, etc.), tecidos, isopor, lâmpadas, velas,
parafina, cerâmicas, porcelana, espumas, cortiças, etc.
®
Quanto à origem:
Ö Domiciliar: originado da vida
diária das residências, constituído por restos de alimentos
(tais como cascas de frutas, verduras, etc.), produtos deteriorados, jornais,
revistas, garrafas, embalagens em geral, papel higiênico, fraldas
descartáveis e uma grande diversidade de outros itens. Pode conter
alguns resíduos tóxicos.
Ö Comercial: originado dos diversos
estabelecimentos comerciais e de serviços, tais como supermercados,
estabelecimentos bancários, lojas, bares, restaurantes, etc.
Ö Serviços
públicos: originados dos serviços de limpeza urbana, incluindo todos os
resíduos de varrição das vias públicas, limpeza de
praias, galerias, córregos, restos de podas de plantas, limpeza de
feiras livres, etc, constituído por restos de
vegetais diversos, embalagens, etc.
Ö Hospitalar: descartados por
hospitais, farmácias, clínicas veterinárias
(algodão, seringas, agulhas, restos de remédios, luvas,
curativos, sangue coagulado, órgãos e tecidos removidos, meios de
cultura e animais utilizados em testes, resina sintética, filmes
fotográficos de raios X). Em função de suas
características, merece um cuidado especial em seu acondicionamento,
manipulação e disposição final. Deve ser incinerado
e os resíduos levados para aterro sanitário.
Ö Portos, aeroportos,
terminais rodoviários e ferroviários: resíduos sépticos, ou
seja, que contêm ou potencialmente podem conter germes patogênicos.
Basicamente originam-se de material de higiene pessoal e restos de alimentos,
que podem hospedar doenças provenientes de outras cidades, estados e
países.
Ö Industrial: originado nas atividades
dos diversos ramos da indústria, tais como: o metalúrgico, o
químico, o petroquímico, o de papelaria, da indústria
alimentícia, etc. O lixo industrial é bastante variado, podendo
ser representado por cinzas, lodos, óleos, resíduos alcalinos ou
ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras, borracha, metal,
escórias, vidros, cerâmicas. Nesta categoria, inclui-se grande
quantidade de lixo tóxico. Esse tipo de lixo necessita de tratamento
especial pelo seu potencial de envenenamento.
Ö Radioativo: resíduos
provenientes da atividade nuclear (resíduos de atividades com
urânio, césio, tório, radônio, cobalto), que devem
ser manuseados apenas com equipamentos e técnicas adequados.
Ö Agrícola: resíduos
sólidos das atividades agrícola e pecuária, como
embalagens de adubos, defensivos agrícolas, ração, restos
de colheita, etc. O lixo proveniente de pesticidas é considerado
tóxico e necessita de tratamento especial.
Ö Entulho: resíduos da
construção civil: demolições e restos de obras,
solos de escavações. O entulho é geralmente um material
inerte, passível de reaproveitamento.
4 - Classes dos resíduos
No dia 31 de maio de 2004 a ABNT -
Associação Brasileira de Normas Técnicas publicou a nova
versão da sua norma NBR 10.004 - Resíduos Sólidos. Esta
Norma classifica os resíduos sólidos quanto aos seus riscos
potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, para que
possam ser gerenciados adequadamente.
Nas atividades de gerenciamento
de resíduos, a NBR 10.004 é uma ferramenta imprescindível,
sendo aplicada por instituições e órgãos
fiscalizadores. A partir da classificação estipulada pela Norma,
o gerador de um resíduo pode facilmente identificar o potencial de risco
do mesmo, bem como identificar as melhores alternativas para
destinação final e/ou reciclagem. Esta nova versão
classifica os resíduos em três classes distintas: classe I
(perigosos), classe II (não-inertes) e classe III (inertes).
® Classe 1 - Resíduos perigosos:
são aqueles que apresentam riscos à saúde pública e
ao meio ambiente, exigindo tratamento e disposição especiais em
função de suas características de inflamabilidade,
corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.
® Classe 2 - Resíduos não-inertes:
são os resíduos que não apresentam periculosidade,
porém não são inertes; podem ter propriedades tais como: combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em
água. São basicamente os resíduos com as
características do lixo doméstico.
® Classe 3 - Resíduos inertes:
são aqueles que, ao serem submetidos aos testes de
solubilização (NBR-10.007 da ABNT), não têm nenhum
de seus constituintes solubilizados em
concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água. Isto significa que a
água permanecerá potável quando em contato com o
resíduo. Muitos destes resíduos são recicláveis.
Estes resíduos não se degradam ou não se decompõem
quando dispostos no solo (se degradam muito lentamente). Estão nesta
classificação, por exemplo, os entulhos de demolição,
pedras e areias retirados de escavações. O quadro 1 mostra a origem, classes e responsável pelos
resíduos.
|
Origem
|
Possíveis Classes
|
Responsável
|
|
Domiciliar
|
2
|
Prefeitura
|
|
Comercial
|
2, 3
|
Prefeitura
|
|
Industrial
|
1, 2, 3
|
Gerador do resíduo
|
|
Público
|
2, 3
|
Prefeitura
|
|
Serviços de saúde
|
1, 2, 3
|
Gerador do resíduo
|
|
Portos, aeroportos e terminais ferroviários
|
1, 2, 3
|
Gerador do resíduo
|
|
Agrícola
|
1, 2, 3
|
Gerador do resíduo
|
|
Entulho
|
3
|
Gerador do resíduo
|
|
Fonte: http://www.ambientebrasil.com.br,
Quadro 1 – Origem,
possíveis classes e responsável pelos resíduos
5 – Resíduos industriais
O lixo gerado pelas atividades agrícolas e
industriais é tecnicamente conhecido como resíduo e os
geradores são obrigados a cuidar do gerenciamento, transporte,
tratamento e destinação final de seus resíduos, e essa
responsabilidade é para sempre. O lixo doméstico é apenas
uma pequena parte de todo o lixo produzido. A indústria é
responsável por grande quantidade de resíduo – sobras de
carvão mineral, refugos da indústria metalúrgica,
resíduo químico e gás e fumaça lançados
pelas chaminés das fábricas.
O resíduo industrial é um dos maiores
responsáveis pelas agressões fatais ao ambiente. Nele
estão incluídos produtos químicos (cianureto, pesticidas,
solventes), metais (mercúrio, cádmio, chumbo) e solventes
químicos que ameaçam os ciclos naturais onde são
despejados. Os resíduos sólidos são amontoados e
enterrados; os líquidos são despejados em rios e mares; os gases
são lançados no ar. Assim, a saúde do ambiente, e
conseqüentemente dos seres que nele vivem, torna-se ameaçada,
podendo levar a grandes tragédias.
O consumo habitual de
água e alimentos - como peixes de água doce ou do mar -
contaminados com metais pesados coloca em risco a saúde. As
populações que moram em torno das fábricas de baterias
artesanais, indústrias de cloro-soda que utilizam mercúrio,
indústrias navais, siderúrgicas e metalúrgicas, correm
risco de serem contaminadas.
Os metais pesados são muito usados na indústria
e estão em vários produtos. Apresentamos no quadro 2 os principais metais usados, suas fontes e riscos à
saúde.
|
Metais
|
De onde vêm
|
Efeitos
|
|
Alumínio
|
Produção de
artefatos de alumínio; serralheria; soldagem de medicamentos
(antiácidos) e tratamento convencional de água.
|
Anemia por deficiência de
ferro; intoxicação crônica.
|
|
Arsênio
|
Metalurgia; manufatura de vidros
e fundição.
|
Câncer (seios paranasais)
|
|
Cádmio
|
Soldas; tabaco; baterias e
pilhas.
|
Câncer de pulmões e
próstata; lesão nos rins.
|
|
Chumbo
|
Fabricação e
reciclagem de baterias de autos; indústria de tintas; pintura em
cerâmica; soldagem.
|
Saturnismo (cólicas
abdominais, tremores, fraqueza muscular, lesão renal e cerebral)
|
|
Cobalto
|
Preparo de ferramentas de corte e
furadoras.
|
Fibrose pulmonar (endurecimento
do pulmão) que pode levar à morte
|
|
Cromo
|
Indústrias de
corantes, esmaltes, tintas, ligas com aço e níquel; cromagem de metais.
|
Asma (bronquite); câncer.
|
|
Fósforo amarelo
|
Veneno para baratas; rodenticidas (tipo de inseticida usado na lavoura) e
fogos de artifício.
|
Náuseas; gastrite; odor de
alho; fezes e vômitos fosforescentes; dor muscular; torpor; choque;
coma e até morte.
|
|
Mercúrio
|
Moldes industriais; certas
indústrias de cloro-soda; garimpo de ouro; lâmpadas
fluorescentes.
|
Intoxicação do
sistema nervoso central
|
|
Níquel
|
Baterias; aramados;
fundição e niquelagem de metais; refinarias.
|
Câncer de pulmão e
seios paranasais
|
|
Fumos metálicos
|
Vapores (de cobre, cádmio,
ferro, manganês, níquel e zinco) da soldagem industrial ou da
galvanização de metais.
|
Febre dos fumos metálicos
(febre, tosse, cansaço e dores musculares) - parecido com pneumonia.
|
|
Fonte: http://www.ambientebrasil.com.br/
Quadro 2 - Principais
metais usados na indústria, suas fontes e riscos à saúde
A indústria elimina resíduo por
vários processos. Alguns produtos, principalmente os sólidos,
são amontoados em depósitos, enquanto que o resíduo
líquido é, geralmente, despejado nos rios e mares, de uma ou de
outra forma.
Certos resíduos perigosos são jogados no
meio ambiente, precisamente por serem tão danosos. Não se sabe
como lidar com eles com segurança e espera-se que o ambiente absorva as
substâncias tóxicas. Porém, essa não é uma
solução segura para o problema. Muitos metais e produtos químicos
não são naturais, nem biodegradáveis. Em
conseqüência, quanto mais se enterram os resíduos, mais os
ciclos naturais são ameaçados, e o ambiente se torna
poluído. Desde os anos 50, os resíduos químicos e
tóxicos têm causado desastres cada vez mais freqüentes e
sérios.
Atualmente, há mais
de 7 milhões de produtos químicos
conhecidos, e a cada ano outros milhares são descobertos. Isso
dificulta, cada vez mais, o tratamento efetivo do resíduo.
A
destinação, tratamento e disposição final de
resíduos devem seguir a Norma 10.004 da Associação
Brasileira de Normas Técnicas que classifica os resíduos conforme
as reações que produzem quando são colocados no solo:
perigosos (Classe 1- contaminantes e tóxicos);
não-inertes (Classe 2 - possivelmente
contaminantes);
inertes (Classe 3 –
não contaminantes).
Os resíduos das
classes 1 e 2 devem ser tratados e destinados em
instalações apropriadas para tal fim. Por exemplo, os aterros
industriais precisam de mantas impermeáveis e diversas camadas de
proteção para evitar a contaminação do solo e das
águas, além de instalações preparadas para receber
o lixo industrial e hospitalar, normalmente operados por empresas privadas,
seguindo o conceito do poluidor-pagador.
As indústrias
tradicionalmente responsáveis pela maior produção de
resíduos perigosos são as metalúrgicas, as
indústrias de equipamentos eletro-eletrônicos, as
fundições, a indústria química e a indústria
de couro e borracha. Predomina em muitas áreas urbanas a
disposição final inadequada de resíduos industriais, por
exemplo, o lançamento dos resíduos industriais perigosos em
lixões, nas margens das estradas ou em terrenos baldios, o que compromete a qualidade ambiental e de vida da
população.
Para tratar a
questão dos resíduos industriais, o Brasil possui legislação
e normas específicas. Pode-se citar a Constituição
Brasileira em seu Artigo
225, que dispõe sobre a proteção ao meio ambiente; a Lei
6.938/81, que estabelece a Política Nacional de Meio Ambiente; a Lei
6.803/80, que dispõe sobre as diretrizes básicas para o
zoneamento industrial em áreas críticas de
poluição; as resoluções do Conselho
Nacional do Meio Ambiente - CONAMA 257/263 e 258, que
dispõem respectivamente sobre pilhas, baterias e pneumáticos e,
além disso, a questão é amplamente tratada nos Capítulos
19, 20 e 21 da Agenda 21 (Rio-92).
Em síntese, o
governo federal, através do Ministério do Meio Ambiente –
MMA e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis – IBAMA está desenvolvendo projeto para
caracterizar os resíduos industriais através de um
inventário nacional, para traçar e desenvolver uma
política de atuação, visando reduzir a
produção e destinação inadequada de resíduos
perigosos.
Com a
aprovação da Lei de Crimes Ambientais, no início de 1998, a qual estabelece
pesadas sanções para os responsáveis pela
disposição inadequada de resíduos, as empresas que prestam
serviços na área de resíduos sentiram um
certo aquecimento do mercado – houve empresa que teve aumento de
20% na demanda por serviços logo após a promulgação
da lei – mas tal movimento foi de certa forma arrefecido com a
emissão da Medida Provisória que ampliou o prazo para que as
empresas se adeqüem à nova
legislação.
Comparando as
legislações francesa e brasileira, Groszek
(1998) diz que não há grandes diferenças. Tanto a legislação brasileira quanto a européia
têm os princípios da responsabilidade, que é do
gerador de resíduos. Na França e no Brasil o gerador tem a
responsabilidade, por exemplo, de escolher um centro de tratamento que seja
adequado, legal e ambientalmente, ficando essa escolha sob a sua
responsabilidade, e também de escolher um transportador que seja
credenciado.
O operador, por sua vez,
tem a responsabilidade de cumprir as obrigações legais em geral e
aquelas decorrentes da licença que ele possui, em particular.
A legislação
francesa estabelece que a empresa deve, em primeiro
lugar, evitar a geração de resíduo; que, se houver
geração, deve-se primeiramente tentar o reaproveitamento do
resíduo, recuperando a matéria-prima; no caso do tratamento fora
da usina, deve-se antes buscar um tratamento que possibilite uma
valorização térmica; e, em último lugar, deve-se
utilizar o aterro.
A esperança das
empresas que investiram em tecnologia e instalações para
tratamento e disposição de resíduos industriais
está na disseminação da ISO 14000, pois as empresas que
aderirem à norma terão que gerenciar adequadamente seus
resíduos, e numa maior atuação fiscalizadora por parte dos
órgãos de controle ambiental.
A soma das
ações de controle, envolvendo a geração,
manipulação, transporte, tratamento e disposição
final, traduz-se nos seguintes benefícios principais:
Ö minimização dos riscos de acidentes
pela manipulação de resíduos perigosos;
Ö disposição de resíduos em
sistemas apropriados;
Ö promoção de controle eficiente do
sistema de transporte de resíduos perigosos;
Ö proteção à saúde da
população em relação aos riscos potenciais oriundos
da manipulação, tratamento e disposição final
inadequada.
Ö intensificação do reaproveitamento de
resíduos industriais;
Ö proteção dos recursos não
renováveis, bem como o adiamento do esgotamento de
matérias-primas;
Ö diminuição da quantidade de
resíduos e dos elevados e crescentes custos de sua
destinação final;
Ö minimização dos impactos adversos,
provocados pelos resíduos no meio ambiente, protegendo o solo, o ar e as
coleções hídricas superficiais e subterrâneas de
contaminação.
Muitas vezes, de acordo
com Tondowski (1998), uma empresa quer tratar os seus
resíduos e há uma consciência do gerador neste sentido, mas
todo tratamento de resíduos, ou grande parte dos tratamentos de
resíduos, representa custo. Mesmo a reciclagem gera custo e isso
significa que, se uma determinada empresa fizer o tratamento e o seu vizinho ou
competidor não o fizer, isto colocará a primeira empresa numa
posição de menos competitividade no mercado.
Então, só procura o serviço, seja de
gerenciamento ou de destinação de resíduos, aquele gerador
que compete em termos globais e precisa apresentar uma política clara de
meio ambiente, porque ele está produzindo algo aqui que será
vendido, por exemplo, na Europa. Ele estará competindo a partir de um
produto feito aqui com um produto feito em outro país, onde o seu
competidor estará fiscalizando a forma como o produto foi feito aqui.
Um resíduo não é, por princípio,
algo nocivo. Muitos resíduos podem ser transformados em subprodutos ou
em matérias-primas para outras linhas de produção.
A Apliquim Tecnologia Ambiental,
especializada em engenharia ambiental, em seu site http://www.apliquim.com.br,
diz que o gerenciamento de resíduos tem-se transformado, nas
últimas décadas, em um dos temas ambientais mais complexos. O
número crescente de materiais e substâncias identificados como
perigosos e a geração desses resíduos em quantidades
expressivas têm exigido soluções mais eficazes e
investimentos maiores por parte de seus geradores e da sociedade da forma
geral. Além disso, com a industrialização crescente dos
países ainda em estágio de desenvolvimento, esses resíduos
passam a ser gerados em regiões nem sempre preparadas para
processá-los ou, pelo menos, armazená-los adequadamente.
A manipulação correta de um
resíduo tem grande importância para o controle do risco que ele
representa, pois um resíduo relativamente inofensivo, em mãos
inexperientes, pode transformar-se em um risco ambiental bem mais grave.
Muitos empresários bem que gostariam de colaborar,
efetivamente, para a despoluição não só por motivos
éticos, mas, principalmente, práticos. O que se joga fora ocupa
espaço e leva embora muita matéria-prima que poderia ser
reaproveitada. Fala-se constantemente em reciclagem de materiais, mas ocorre
que ainda estamos no início de um trabalho que demanda ousadia e
paciência. E que nem sempre custa uma exorbitância.
6 - Conclusão
Todo processo industrial
está caracterizado pelo uso de insumos (matérias-prima,
água, energia, etc) que, submetidos a uma
transformação, dão lugar a produtos, subprodutos e
resíduos.
Quando se fala em meio
ambiente, no entanto, o empresário imediatamente pensa em custo
adicional. Dessa maneira passam despercebidas as oportunidades de uma
redução de custos. Sendo o meio ambiente um potencial de recursos
ociosos ou mal aproveitados, sua inclusão no horizonte de
negócios pode resultar em atividades que proporcionam lucro ou pelo
menos se paguem com a poupança de energia ou de outros recursos
naturais.
Neste sentido, para
proporcionar o bem-estar da população, as empresas necessitam
empenhar-se na: manutenção de condições
saudáveis de trabalho; segurança, treinamento e lazer para seus
funcionários e familiares; contenção ou
eliminação dos níveis de resíduos tóxicos,
decorrentes de seu processo produtivo e do uso ou consumo de seus produtos, de
forma a não agredir o meio ambiente de forma geral;
elaboração e entrega de produtos ou serviços, de acordo
com as condições de qualidade e segurança desejadas pelos
consumidores.
Referências
CAVALCANTI, J. E. A década de 90 é dos
resíduos sólidos. Revista Saneamento Ambiental – nº 54, p. 16-24, nov./dez. 1998. Acesso em 05 jan.
2005.
GROSZEK, F. A deficiência na
fiscalização. Revista Saneamento Ambiental – nº 54, p. 16-24, nov./dez. 1998. Acesso em 05 jan.
2005.
LERIPIO, A. A. Gerenciamento de resíduos. http://www.eps.ufsc.br/~lgqa/Coferecidos.html Acesso em: 12
dez. 2004.
TONDOWSKI, L. O cuidado com as soluções
"criativas" Revista Saneamento Ambiental – nº 54, p. 16-24, nov./dez. 1998. Acesso em 05 jan.
2005.
http://www.apliquim.com.br/noticias/20040627.html.
Acesso em: 27 dez. 2004.
http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=residuos/index.php3&conteudo=./residuos/artigos.html.
Acesso em: 04 jan. 2005.